sexta-feira, 2 de setembro de 2011

contos - o templario e a serpente

3 de Janeiro de 2010, 21:12
Apartamento simples em Oberschleissheim, Munique.
Ele se movia pela noite com sua determinação insana.

A caçada havia sido decretada, o alvo identificado e o plano traçado. Logo o invasor seria destruído, seus artefatos profanados e seu templo queimado em nome de mãe da noite.

Esse é o desejo de minha senhora, que seja eu a sua espada, que eu leve ruína aos seus inimigos

Em algum lugar de Oberschleissheim, um vampiro gritava ordens desesperadamente enquanto seus servos empacotavam todos os espólios de sua recente descoberta. Quando o primeiro vaso de barro do Nilo foi ao chão, ele tentou se enfurecer, mas não teve tempo.
Os corpos de dois guardas voaram com violência sobre a escrivaninha, destruindo pergaminhos de valor imensurável, bem como as estatuetas sagradas de Bastet. Os servos se encolheram e gritaram.
A loucura estava presente.
Em um espaço de tempo menor que um segundo, uma estaca atravessou o ar, e parou no meio do peito do Setita. Imóvel, ele observava seu agressor.
Era um homem de meia idade, não era bonito, não era forte e não parecia particularmente brilhante. O que o perturbava mais era o olhar do vampiro. Ele não expressava nada. Nada. Era como se ele estivesse errado. Ele simplesmente não deveria existir, não poderia existir.

“Ele esta tentando destruir minha mente, é um poder mental, devo orar a set por forças para resistir”.

Pela primeira vez desde que o Setita aprendeu as primeiras orações, não houve resposta.

Os servos já não podiam mais resistir, um deles sacou uma arma da cintura, a colocou dentro da boca e apertou o gatilho, obtendo uma morte veloz e suja. O segundo balançava freneticamente para frente e para traz, e o terceiro, que agora se chamava Yatcha,  era um lenhador francês, e cantava o hino da Espanha em romeno.

O vampiro falou, e a febre da loucura se intensificava a cada silaba proferida.

Vocês, escória do mundo, são acusados de violar o solo sagrado da mãe Europa, violar o tratado da pureza e pertencer à linhagem amaldiçoada de Set, eu, Einjenharl do Sabá, campeão da mãe da noite, tenho o dever sagrado de destruí-los, em nome do Sabá, de Tyr e da mãe Europa, eu os destruo!

Yatcha gritou em agonia quando seu companheiro autista pulou sobre seu pescoço e o rasgou com as mãos. Segundos após isso o vampiro pegou a arma do chão, e sem mirar, acertou o meio do peito do ex-autista. Agora era a vez do Setita.

Eu te destruo, filho de Set, com o poder que minha senhora me deu.”

Ele apertou o pescoço do setita com as duas mãos, e observou seu rosto arroxear e seus olhos quase saltarem da face, com sua frieza obstinada, ele ordenou que o sangue fortalecesse seus braços.

Em segundos, a cabeça do setita se separou do corpo, e ele virou pó.

A noite sussurrou em sua mente um segundo depois:
 “bom trabalho, meu cavaleiro, eu sei que sempre posso contar com você, agora, venha até mim e te darei o nome do próximo alvo”.

A voz dela era doce e terrível, como se um trovão pudesse acariciar os ouvidos. O implacável ainda observou o lugar por um instante antes de abrir o botijão de gás. Ele partia ao encontro de sua senhora, de sua causa, e de seu amor.

Na manhã seguinte, sete jornais tinham em suas paginas principais “terrível acidente em Oberschleissheim termina com dezessete mortos”.

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